... uma menina de cinco ou seis anos. Morava numa aldeia sem luz eletrica, de ruas escuras mas seguras. Todos se conheciam e de uma maneira ou de outra, todos eram aparentados. Um dia, a menina foi a casa da tia D. já noite escura. Mesmo escura! Mas a menina conhecia bem o caminho e lá foi, formosa e segura. Na ida pra casa pensou " se está tão escuro, porque vou eu de olhos abertos? vou fechá-los. Vejo o mesmo!". E assim fez. Três passos adiante, estava bater com a cabeça num monte de pedras que o tio A. tinha em frente a casa pra fazer umas obras. Ora toma! Quem a mandou fechar os olhos?
Ontem, essa mesma menina, já idosa e aparvalhada, pensou fazer o mesmo perante o breu a que a sujeitou uma ventania chama Kristin, com nome finório estrangeiro, talvez soprada por um Adamastor furioso. "Ora se eu não vejo nada de olhos abertos, o melhor é fechá-los!" Com mais anos, mas mais astuciosa, não é que se desenrascou? E até se divertiu. Sem luz pra ler, sem televisão, sem net e com olhos fechados, voltou a casa dos tios D. e A. mas sem bater com a cabeça nas pedras.
Saudades deles.
